No prédio
O porteiro que chama você de doutor
A cena
Você chega ao prédio e o porteiro abre a porta: "bom dia, doutor". Você não é médico nem advogado, nunca disse a ele o que faz, e nunca corrigiu. Dez minutos antes, no mesmo turno, o mesmo porteiro perguntou a um rapaz negro para qual apartamento ele ia.
O que está operando
O título chega antes de qualquer informação sobre você: é o mecanismo 3 do capítulo 04, a "boa aparência", operando junto com o 8, a imagem. Repare no que se mede aqui — não é o que você fez, é o que a sua aparência dispensa você de provar. E o porteiro não recebeu ordem nenhuma: ele está lendo o mesmo repertório que o país inteiro leu.
A explicação inteira está em capítulo 06 · O cotidiano.
No momento
Não é caso de corrigir ninguém na hora — a conta não é do porteiro. É caso de reparar na frequência: quantas vezes por semana alguém te dá um cargo que você não tem, e quantas vezes por semana alguém no mesmo prédio precisa dizer onde mora.
Depois — onde a regra muda
Saiba o nome dele e use. E leve à reunião de condomínio a pergunta que muda a regra em vez do gesto: existe orientação escrita para receber visitante, ou cada um decide pela aparência? Tratar bem é cortesia individual; procedimento é o que vale quando você não está na portaria.